quinta-feira, 27 de setembro de 2012

alimentos transgênicos.

Alimentos Geneticamente Modificados: são alimentos criados em laboratórios com a utilização de genes (parte do código genético) de espécies diferentes de animais, vegetais ou micróbios.

Organismos Geneticamente Modificados: são os organismos que sofreram alteração no seu código genético por métodos ou meios que não ocorrem naturalmente.

Engenharia Genética: ciência responsável pela manipulação das informações contidas no código genético, que comanda todas as funções da célula. Esse código é retirado da célula viva e manipulado fora dela, modificando a sua estrutura (modificações genéticas).
Com o aprimoramento e desenvolvimento das técnicas de obtenção de organismos geneticamente modificados e o aumento da sua utilização, surgiram então, dois novos termos para o nosso vocabulário: biotecnologia e biossegurança.

Alguns países que cultivam alimentos transgênicos
Estados Unidos: melão, soja, tomate, algodão, batata, canola, milho.
União Europeia: tomate, canola, soja, algodão.
Argentina: soja, milho, algodão
Desde o final da década de 70, pesquisadores do mundo inteiro aprenderam a transferir genes de um organismo para outro, seja ele animal ou vegetal, alterando suas características naturais. Com isso, tornaram possível criar porcos com menos gordura na carne, plantar feijão com mais proteína nos grãos ou soja resistente a herbicidas. O lançamento da soja transgênica no mercado aquece a polêmica sobre a biotecnologia em 1999. Essa planta tem em suas células um gene que não faz parte do organismo de nenhum vegetal. Retirado de uma bactéria, a agrobacterium, ele controla a fabricação de uma proteína, conhecida pela sigla EPSPS, que bloqueia a ação dos herbicidas. Isso permite eliminar o mato sem risco de prejudicar a planta cultivada.
Os críticos dos alimentos geneticamente alterados dizem que a ciência não tem controle total sobre o funcionamento dos genes. Para eles, as pesquisas devem ser aprofundadas antes que os novos produtos sejam liberados. No caso da soja modificada, existe o temor de que a substância EPSPS provoque efeitos inesperados no organismo dos consumidores, como alergias ou outro tipo de doença. Mesmo que o gene tenha sido preparado em laboratório para funcionar apenas nas folhas, e não nos grãos – a parte comestível da planta –, não há como garantir que eles atuarão da forma programada.




Células tronco.


As células-tronco, células-mães ou células estaminais são células que possuem a melhor capacidade de se dividir dando origem a duas células semelhantes às progenitoras.
As células-tronco de embriões têm ainda a capacidade de se transformar, num processo também conhecido por diferenciação celular, em outros tecidosdo corpo, como ossosnervosmúsculos e sangue. Devido a essa característica, as células-tronco são importantes, principalmente na aplicação terapêutica, sendo potencialmente úteis em terapias de combate a doençascardiovascularesneurodegenerativasDiabetes mellitus tipo 1acidentes vasculares cerebrais, doenças hematológicas, traumas na medula espinhal enefropatias.
O principal objetivo das pesquisas com células-tronco é usá-las para recuperar tecidos danificados por essas doenças e traumas. No Zoológico de Brasília(Brasil), uma fêmea de lobo-guará, vítima de atropelamento, recebeu tratamento com células-tronco. Este foi o primeiro registro do uso de células-tronco para curar lesões num animal selvagem. 
São encontradas em células embrionárias e em vários locais do corpo, como no cordão umbilical, na medula óssea, no sangue, nofígado, na placenta e no líquido amniótico, conforme descoberta de pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Wake Forest, no estado norte-americano da Carolina do Norte, noticiada pela imprensa mundial nos primeiros dias de 2007.

Extração das células-tronco

Há três possibilidades de extração das células-tronco. Podem ser adultasmesenquimais ou embrionárias:
  • Embrionárias – São encontradas no embrião humano e são classificadas como totipotentes ou pluripotentes, devido ao seu poder de diferenciação celular de outros tecidos. A utilização de células estaminais embrionárias para fins de investigação e tratamentosmédicos varia de país para país, em que alguns a sua investigação e utilização é permitida, enquanto em outros países é ilegal. OSTF autorizou as pesquisas no Brasil.
  • Adultas – São encontradas em diversos tecidos, como a medula ósseasanguefígadocordão umbilicalplacenta, e outros. Estudos recentes mostram que estas células-tronco têm uma limitação na sua capacidade de diferenciação, o que dá uma limitação de obtenção de tecidos a partir delas.
  • Mesenquimais – Células-tronco mesenquimais, uma população de células do estroma do tecido (parte que dá sustentação às células), têm a capacidade de se diferenciar em diversos tecidos. Por conta desta plasticidade, essas células têm sido utilizadas para reparar ou regenerar tecidos danificados como ósseo, cartilaginoso, hepático, cardíaco e neural. Além disso, essas células apresentam uma poderosa atividade imunossupressora, o que abre a possibilidade de sua aplicação clínica em doenças imunomediadas, como as auto-imunes e também nas rejeições aos transplantes. Em adultos, residem principalmente na medula óssea e no tecido adiposo.
  • Existem as células-tronco totipotentes ou embrionárias, que conseguem dar origem a qualquer um dos 216 tecidos que formam o corpo humano; as pluripotentes, que conseguem diferenciar-se na maioria dos tecidos humanos, e as células-tronco multipotentes que conseguem diferenciar-se em alguns tecidos apenas. 

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Aborto.


Aborto espontâneo

Aborto espontâneo, involuntário ou casual, é a expulsão não intencional de um embrião ou feto antes de 20-22 semanas de idade gestacional. Uma gravidez que termina antes de 37 semanas de idade gestacional que resulta em um recém-nascido vivo é conhecida como parto prematuro ou pré-termo. Quando um feto morre no interior do útero após a viabilidade, ou durante o parto, geralmente é chamado de natimorto.
A causa mais comum de aborto espontâneo durante o primeiro trimestre são as anomalias cromossômicas do feto/embrião, que contabilizam pelo menos 50% das perdas gestacionais precoces. Outras causas incluem doenças vasculares (como o lúpus eritematoso sistêmico), diabetes, problemas hormonais, infecções, anomalias uterinas e trauma acidental ou intencional. A idade materna avançada e a história prévia de abortos espontâneos são os dois fatores mais associados com um risco maior de aborto espontâneo.
Aborto induzido
O aborto induzido, também denominado aborto provocado ou interrupção voluntária da gravidez, é o aborto causado por uma ação humana deliberada. Ocorre pela ingestão de medicamentos ou por métodos mecânicos. A ética deste tipo de abortamento é fortemente contestada em muitos países do mundo mas é reconhecida como uma prática legal em outros locais do mundo, sendo inclusive em alguns totalmente coberta pelo sistema público de saúde. Os dois polos desta discussão passam por definir quando o feto ou embrião se torna humano ou vivo (se na concepção, no nascimento ou em um ponto intermediário) e na primazia do direito da mulher grávida sobre o direito do feto ou embrião.

Hereditariedade.


Em genéticahereditariedade é o conjunto de processos biológicos que asseguram que cada ser vivo receba e transmita informações genéticas através da reprodução.
A informação genética é transmitida através dos genes, porções de informação contida no DNA dos indivíduos sob a forma de sequências de nucleótidos. Existem dois tipos de hereditariedade: especifica e individual. A hereditariedade especifica é responsável pela transmissão de agentes genéticos que determinam a herança de características comuns a uma determinada espécie. A hereditariedade individual designa o conjunto de agentes genéticos que actuam sobre os traços e características próprios do individuo que o tornam um ser diferente de todos os outros.
Mecanismo de transmissão hereditária.
Muitos aspectos da forma do corpo, do funcionamento dos órgãos e dos comportamentos dos animais e dos seres humanos são transmitidos por hereditariedade. Muitas das nossas características, quer em termos da nossa constituição física, quer em termos do nosso comportamento, são herdadas, já nascem conosco.
CromossomasADN e genes são os agentes responsáveis pela transmissão das características genéticas de um ser a outro.
Os descendentes de indivíduos de uma espécie pertencem sempre a essa mesma espécie. Contudo, entre indivíduos de uma espécie é possível observar uma vasta gama de variações o que confere à vida uma enorme diversidade. Também na espécie humana existem diversas características que nos diferenciam uns dos outros

Principios da bioética.


    O Relatório Belmont, publicado em 1978, utilizou como referencial para as suas considerações éticas, a respeito da adequação das pesquisas realizadas em seres humanos, três princípios básicos:

Procriação assistida


reprodução medicamente assistida (RMA), também chamada procriação medicamente assistida (PMA) é o processo segundo o qual são utilizadas diferentes técnicas médicas para auxiliar à reprodução humana. Estas técnicas são normalmente utilizadas em casais inférteis, ainda que também o sejam em casais em que haja portadores do vírus da imunodeficiência humana (VIH positivo), ou do vírus da hepatite B ou C. Outras indicações são casais com elevado risco de transmissão de doença genética (por exemplo,polineuropatia amiloidótica familiar ou ainda trissomia 21).
Entre as técnicas contam-se a inseminação artificial intrauterina, a fertilização in vitro, a microinjecção intracitoplasmática deespermatozóides (ICSI - Intra Citoplasmic Sperm Injection) a transferência de embriões ou de gâmetas e o diagnóstico genético pré-implantatório (DGPI).

Clonagem.


Clonagem é a produção de indivíduos geneticamente iguais. É um processo de reprodução assexuada que resulta na obtenção de cópias geneticamente idênticas de um mesmo ser vivo – micro-organismovegetal ou animal.
A reprodução assexuada é um método próprio dos organismos constituídos por uma única ou por um escasso número de células, por via de regra absolutamente dependentes do meio onde vivem e muito vulneráveis às suas modificações.
Clonagem em biologia é o processo de produção das populações de indivíduos geneticamente idênticos, que ocorre na natureza quando organismos, tais como bactérias, insetos e plantas reproduzirem assexuadamente. Clonagem em biotecnologia refere-se aos processos usados para criar cópias de fragmentos de DNA (Clonagem molecular), células (Clonagem Celular), ou organismos. Mas genericamente, o termo refere-se à produção de várias cópias de um produto, tais como os meios digitais ou de software.

A ovelha Dolly


Porém, enquanto que a maior parte das ovelhas vive entre o 11 e o doze anos, Dolly morreu com seis anos e meio após ter começado a manifestar doenças frequentemente associadas à velhice, a partir da idade de cinco anos e meio.
Antes da clonagem da ovelha Dolly, os investigadores tinham chegado a clonar ovelhas a partir de células embrionárias. Em Fevereiro de 1997, um grupo de cientistas escoceses, liderado pelo inglês Ian Wilmut, anuncia a realização da primeira cópia genética (clonagem) de um mamífero adulto de seis anos, a partir duma célula somática: a ovelha da raça Finn Dorset, batizada como Dolly. Na experiência, os pesquisadores usaram uma célula da glândula mamária, cujo núcleo (onde está armazenado o material genético) foi retirado e transferido para um óvulo anucleado. Essa nova célula formada com o auxílio duma corrente eléctrica foi então implantada no útero de uma terceira ovelha, onde Dolly foi gerada.
Um dos temores principais era que Dolly nascesse prematuramente velha. Dolly deu nascimento a 4 ovelhas, o primeiro nascimento teve lugar em 1998, as três seguintes em 1999. Este nascimento foi de excelentes notícias, provando que animal clonado não era um estéril e podia reproduzir-se sem problema essencial. Recentemente tem sido demonstrado uma relação directa entre a dimensão dostelómeros e a esperança de vida (em saber mais: a dimensão dos télomères influencia a esperança de vida). Os telómeros agiriam como um relógio molecular que controla o número de divisão da célula antes de induzir a sua morte. Em 1999, os cientistas observaram que as células Dolly apresentavam sinais de envelhecimento. Em Janeiro de 2002, foi anunciado que Dolly apresentava sinais de artrite ao quadril e os joelhos esquerdos. A artrite é uma doença bastante comum nas ovelhas, mas habitualmente a artrite aparece numa idade mais avançada, bem como uma localização diferente. A artrite foi tratada eficazmente graças a anti-inflamatórios.
Os investigadores dizem que é necessário esperar os resultados da autópsia para determinar se esta doença é ligada ao facto de Dolly ser um animal clonado. Contudo favorecem actualmente outra hipótese. É com efeito possível que Dolly foi vítima duma infecção que progride lentamente. Recusaram-se a citar o nome da infecção, afirmaram que pelo menos outra ovelha da exploração agrícola onde se encontrava Dolly tinha apresentado os mesmos sinais clínicos. Para eles a explicação mais provável é por conseguinte que Dolly apanhou esta infecção. (Em baixo, representação da formação da ovelha Dolly.)
Dolly morreu imediatamente após o seu 6º aniversário não é, talvez, um azar. Com efeito, os cromossomos que permitiram criar Dolly viviam há mais de doze anos, e é nessa idade que as ovelhas costumam morrer.

Entrevista do Dr. Drauzio Varella a pacientes terminais..


Doentes terminais.

A morte é o destino inexorável de todos. Caminhamos em sua direção todos os dias desde o nascimento. Apesar de pouco pensarmos nela, não há quem não almeje um fim de vida tranquilo, sem sofrimento, como o da flor que murcha depois de esgotado seu tempo de plenitude.
É pena que nem sempre seja assim. O final da vida de algumas pessoas pode ser marcado por dores atrozes e muito padecimento. Quando nada mais se pode fazer contra a doença, a medicina moderna conta com recursos para tornar mais suave a progressão dos sintomas e o processo de morte. Diante dessa possibilidade, é comum vir à tona um assunto polêmico, mas de extrema importância,  especialmente depois que Jack Keworkian, médico dos Estados Unidos conhecido como doutor Morte, começou a defender e aplicar a teoria do suicídio assistido em pacientes terminais ou nos portadores de doenças degenerativas e irreversíveis, na segunda metade dos anos 1900.
Como se posicionam os médicos diante dessa nova forma de encarar a morte? Oliver Wendell Holmes, médico e poeta americano que viveu no século 19, foi categórico: “A função do médico é curar, às vezes; aliviar, frequentemente; confortar, sempre”.
EUTANÁSIA
EUTANÁSIA
Drauzio  Qual é sua visão pessoal a respeito do que se convencionou chamar de eutanásia? 
Auro del Giglio – A palavra eutanásia vem do grego: “eu” quer dizer “bom” e “tanatos”, morte. Portanto, segundo a etimologia, eutanásia significa “boa morte”. Não sou a favor da eutanásia, mas também gostaria de ter uma boa morte.
De maneira geral, entende-se por eutanásia um ato deliberado de um indivíduo com vistas a acelerar o processo natural de morte para diminuir o sofrimento de um paciente. No entanto, esse termo admite duas leituras diferentes na literatura médica.
Na eutanásia ativa, o médico interfere de maneira positiva no processo com o objetivo de precipitar a morte do doente para minimizar seu sofrimento. Essa prática é condenada pela imensa maioria dos centros médicos e dos países do mundo.
A eutanásia passiva, que não é considerada crime, na minha forma de ver o problema, é um ato de humanidade, pois sem interferir no processo natural de morte, o médico prescreve medicamentos que tiram a dor e aliviam o sofrimento do doente, mas não acrescenta itens que possam adiar o desfecho desse processo indevidamente.
Drauzio – Você enquadraria nessa situação o caso de desligar o tubo de oxigênio que mantém o paciente com vida?
Auro del Giglio – Se a pessoa estiver respirando e depender daquele oxigênio para viver, sim, é um caso de eutanásia ativa. Agora, se o óbito já foi constatado, desconectar o tubo é um procedimento que não tem relação nenhuma com a eutanásia, seja ela ativa ou passiva.
Drauzio – Atendi um doente com um tumor na língua, um tumor bem grande que continuava a crescer. Como era uma pessoa absolutamente sem recursos para arcar com as despesas de uma cirurgia de urgência, tentei encontrar um lugar na cidade de São Paulo para encaminhá-lo – veja que não estou falando dos lugares mais ermos e pobres do Brasil, estou falando da cidade mais rica do País – para que a operação fosse custeada pela previdência social. A dificuldade foi enorme. Infelizmente, esse não é um caso isolado. Há muitos doentes que, quando conseguem ser atendidos, têm tumores inoperáveis. Uma sociedade que cruza os braços numa situação como essa e deixa a pessoa morrer, quando teoricamente havia tratamento para sua doença, não está praticando um ato de eutanásia passiva?
Auro del Giglio – Eu convido você a pensar nesse caso de maneira diferente. Convido-o a pensar que essa passividade social é, na verdade, uma forma de eutanásia ativa, tão ativa quanto ver uma pessoa se afogando sem nada fazer para assisti-la e socorrê-la. Não prestar o atendimento necessário ao doente é uma forma deliberada de encurtar-lhe a vida, tudo feito sem o intuito de amenizar-lhe o sofrimento, exatamente o contrário do que propõe a eutanásia ativa tradicional. 
LEGISLAÇÃO
Drauzio – Há leis que regulamentam a realização da eutanásia em alguns países onde essa prática é permitida? 
Auro del Giglio – A Holanda foi o primeiro país a aprovar uma lei que reconhece o direito à eutanásia. Oregon é o único estado americano que fez o mesmo não faz muito tempo, desde que sejam respeitados os seguintes critérios:
a) se o portador de doença terminal tiver dois médicos que assim o confirmem, no exercício de sua vontade, pode solicitar que lhe prescrevam medicação oral – tem de ser oral – para pôr fim a seu sofrimento;
b) se, depois de quinze dias da solicitação original, o paciente se mantiver firme nesse propósito, a medicação será prescrita por um médico, mas é o próprio paciente que deve tomar a iniciativa de fazer uso dela.
Por que medicação oral? Porque é o paciente e não o médico que toma a iniciativa de ministrar a medicação. Por que 15 dias de prazo? Para ele ter a oportunidade de arrepender-se da decisão tomada num momento de dor e sofrimento.
Drauzio – O que mostrou a aplicação dessa lei na Holanda?
Auro del Giglio – No início, as pessoas que optavam pela eutanásia eram doentes terminais, que estavam sofrendo muito, dignas de compaixão. Paulatinamente, porém, essa postura começou a modificar-se, de tal sorte que portadores de doenças neurológicas, diante da perspectiva de apresentarem as desabilidades características da moléstia, passaram a exercer o direito à eutanásia. Então, aquilo que era reservado para os casos de extremo sofrimento, foi estendido para indivíduos com doenças inexoravelmente progressivas, muitas vezes antes que as deficiências se instalassem. Agora, pense: a morte prematura dessas pessoas pode representar uma forma barata de os seguros de saúde livrarem-se de despesas maiores, no futuro. 
RISCOS IMINENTES 
Drauzio – A morte vem de graça…
Auro del Giglio – De fato. Tais evidências nos permitem admitir o risco de desenvolvermos uma cultura que valorize a atitude de a pessoa desligar-se do mundo antes que a doença o faça, o que pode ter grande impacto mercadológico e econômico. Pode também mudar nossa visão de mundo. Portanto, o perigo de aceitar a prática da eutanásia é muito maior do que pode parecer à primeira vista. Na hora em que um indivíduo desumaniza o outro, enxerga o outro como um subser, são aceitas e justificadas atitudes drásticas, como as que deram origem ao holocausto na Segunda Guerra Mundial, ou a tantas outras guerras étnicas que ocorrem até hoje.
Seguindo esse raciocínio, não é exagero imaginar que os portadores de doenças progressivas e/ou incuráveis venham a ser considerados seres sub-humanos, que representam ônus para a sociedade e, por isso, devem morrer.
Drauzio – Como impedir que isso aconteça? 
Auro del Giglio - Só conheço um jeito de evitar esse absurdo: proibir a eutanásia ativa em todos os casos. Esse tipo de eutanásia tem de ser ilegal, porque lesa o direito mais fundamental do ser humano, o direito à vida, uma dádiva que recebemos e devemos respeitar. Ela não nos pertence e não pode estar sujeita a regras meramente racionais ou a tabelas de custos.
Drauzio  Estou formado há quase 40 anos, 35 dos quais dedicados à cancerologia. Várias vezes me peguei pensando quantos doentes tive nesse tempo todo que, em determinado momento, diante da evolução da doença, me disseram: “Estou cansado, doutor. Vamos abreviar esse sofrimento. Não quero mais viver assim”. Só consigo me lembrar de três, três doentes, que não apresentaram essa decisão como um pacote fechado, de uma vez. Falavam isso, mas depois hesitavam, ficavam em dúvida. Para você, quantos foram? 
Auro del Giglio – Um doente, aliás uma das pessoas mais maravilhosas que já conheci. Cura, eu não lhe podia prometer, porque transcendia à minha capacidade. Firmei com ele, então, o compromisso de que tudo faria para que não sofresse.
A meu ver, diante dos recursos que a medicina oferece no momento, o doente que pede para morrer está passando ao médico um atestado de sua ineficiência e ignorância no manuseio adequado dos cuidados paliativos. Isso é inaceitável. Precisamos ensinar paliação nas escolas de medicina e para os residentes nos hospitais.
PALIAÇÃO
Drauzio  Você poderia explicar o que se entende por paliação?
Auro del Giglio – Paliação, se não me engano, deriva de “palium”, uma palavra de origem latina que significa manto, com a conotação de esconder, encobrir. Portanto, paliar é mitigar o sofrimento introduzindo medidas farmacológicas (como o uso de analgésicos e de medicações que atuem sobre a falta de ar, por exemplo, ou neurocirúrgicas, como a colocação de cateteres para promover certos tipos de bloqueios) que ajudam a pessoa a sentir-se confortável, apesar de não interferirem na evolução da doença de base.
Drauzio – De fato, os cuidados paliativos são de extrema importância para os doentes terminais.
Auro del Giglio - Os recursos para tratar um doente terminal têm de ser ensinados sistematicamente nas escolas médicas e nos hospitais que preparam os residentes com a mesma ênfase dada à medicina curativa. Não podemos deixar que saiam na ignorância total das medidas paliativas, porque o compromisso do médico não acaba diante da impossibilidade da cura. Vai além. Ele tem a obrigação de aliviar os sintomas e proporcionar um final de vida melhor e mais digno aos pacientes. Só assim, poderemos evitar que peçam para morrer. Quando isso acontece, é sinal de que não estão recebendo adequadamente os cuidados paliativos, que já constituem um ramo da medicina pronto para atuar junto com a neurologia e a oncologia, por exemplo.
POSTURA DO MÉDICO 
Drauzio – Retomando o caso do dr. Morte, porque o considero emblemático, as fotografias dele e as entrevistas a que tive oportunidade de assistir me passaram a imagem de um sujeito sisudo, um pouco estranho até. Embora possa estar enganado, ele não me pareceu uma pessoa em paz com a vida nem que achasse que vale a pena viver. Fico imaginando que, se um dia tiver uma doença grave, sem dúvida vou procurar um médico que sinta prazer em viver, porque isso contagia a gente. Se você anda aborrecido, mas encontra um amigo todo animado, parece que tudo melhora. Você não acha que o médico demonstrar sua vontade de viver  ajuda o paciente?  
Auro del Giglio – Não é raro o médico entrar no quarto de um paciente um dia antes de ele morrer e vê-lo rir muito quando lhe contam uma piada. Não é crime curtir os últimos momentos de vida de maneira agradável. 
Drauzio – Ou ele mesmo conta a piada…
Auro del Giglio – É verdade. Eu me lembro de um paciente que queria muito assistir à transmissão de um jogo de futebol decisivo para a conquista de um título. Acho que essa vontade o manteve vivo por mais um dia para poder curtir aquele momento.
Drauzio – Na verdade, não são só os doentes que se beneficiam com os cuidados paliativos. Os familiares também se beneficiam. 
Auro del Giglio – Estou convencido de que tanto a família quanto o médico podem tirar alguma coisa de bom desse período que é supostamente ruim, se os recursos da medicina forem utilizados de maneira a minimizar o sofrimento, enquanto Deus quiser que a pessoa viva, o que é possível fazer sem interferir no processo natural de morte. Sou absolutamente contra a eutanásia ativa. Acho que o médico externar seu amor à vida é tão importante para contagiar os pacientes, quanto sua postura contrária à qualquer medida que acelere o processo de morte artificialmente.
ANALGESIA PESADA 
Drauzio – Você recebe um doente que está sentindo dores terríveis. Todos os recursos terapêuticos foram esgotados e você prescreve analgésicos (o mais eficaz é a morfina, pouco usada no Brasil, não me canso de repetir). As dores não cedem. Doses mais altas de analgésicos ou de outras drogas para aliviar a dor deixam o doente um pouco debilitado, mais sonolento, sem apetite. Sem receber os remédios, seu sofrimento seria insuportável, mas talvez vivesse mais um pouco, um ou dois dias, quem sabe. Na sua opinião, essa conduta médica representa uma forma de eutanásia?   
Auro del Giglio – Não representa. Quando você estuda a posição do judaísmo acerca do assunto, é consensual entre os rabinos mais modernos que isso não é eutanásia. Ou seja, diminuir o sofrimento utilizando medicações opioides, judiciosamente prescritas, sem o intuito de provocar depressão respiratória, não é considerada eutanásia ativa. A mesma posição é defendida pela Igreja Católica, e os protestantes já emitiram opinião idêntica sobre o assunto. Esses dados são de domínio público e facilmente acessados na internet.
Isso significa que prescrever medicações que teoricamente podem gerar depressão respiratória como efeito colateral, se utilizadas com cuidado e critério para tirar a dor, mesmo que por hipótese possam abreviar a vida do doente, não constitui um ato de eutanásia ativa, porque está destituído da intenção de acelerar o processo de morte.
Drauzio – Essa é exatamente a posição defendida pela Organização Mundial de Saúde: utilizar medicações mais pesadas, porque são absolutamente necessárias para evitar o sofrimento, sem a intenção de encurtar a vida do doente, mesmo que isso aconteça, não constitui eutanásia.
Auro del Giglio – O mais curioso é que, embora a morfina seja o melhor dos analgésicos, no Brasil, prescrevê-la é uma dificuldade, a começar pela exigência de um receituário especial. Além disso, os derivados de morfina disponíveis no mercado são vendidos a preço muito alto, o que inviabiliza sua utilização por pacientes com parcos recursos financeiros, como os que recebem aposentadoria.
Nosso desafio, como médicos no Brasil, é lutar para que essas medicações tenham preços acessíveis e ensinar como usá-las de maneira efetiva. É isso que estamos tentando fazer modestamente no nosso meio. Nós compramos morfina para os pacientes que não têm condições de fazê-lo, pois uma das coisas mais tristes é ver alguém com dor e sem dinheiro para comprar remédio.
Drauzio – A dor tem impacto muito grande na vida do homem. A pessoa está bem, desempenhando suas funções normalmente. De repente, tem uma crise de cólica renal. Sente uma dor violenta que a faz rolar no chão. Alguns minutos mais tarde, desiste de viver, mas basta tomaruma injeção, a dor passa e ela retorna o amor pela vida. O limiar da dor varia de uma pessoa para outra. Há gente que se desespera diante de uma dorzinha de cabeça de fraca intensidade. Com outras, isso só acontece quando a dor fica é lancinante.  
Auro del Giglio – É verdade. A dor é uma experiência que vai contra a dignidade humana. Um estudo realizado na Faculdade do ABC com doentes que, depois de receber remédios contra a dor, eram convidados a responder um questionário bastante objetivo, mostrou que a qualidade de vida dessas pessoas melhorava sensivelmente depois de ministrada a medicação.
Na prática clínica, isso está evidente. Por isso, nossa tarefa é proporcionar aos portadores de quadros dolorosos os cuidados paliativos pertinentes, para que nem sequer pensem em eutanásia.
Aventar essa possibilidade espelha uma falha dos profissionais para viabilizar a assistência médica com os cuidados paliativos adequados para cada paciente.
Jamais deveríamos pensar em eutanásia. Deveríamos saber como tratar a depressão, a dor, a falta de ar dos pacientes terminais para que não quisessem morrer mais cedo porque a vida deles está muito ruim.

Transplante de genes.

Trinta e seis anos depois de conhecida a estrutura do DNA – a molécula espirada, ou em dupla hélice, que guarda a bagagem genética dos seres vivos -, pesquisadores americanos obtiveram pela primeira vez uma imagem direta dessa substância da hereditariedade. A proeza foi possível graças a ummicroscópio de tunelamento eletrônico, que proporciona um aumento de 1 milhão de vezes da amostra focalizada. No caso, usou-se um fragmento de DNA tem a forma retorcida que lhe atribuíam os cientistas a partir de observações indiretas. Para além de sua utilidade científica, a imagem ao vivo do DNA sintetiza de certo modo a coleção de avanços revolucionários que tem feito da Genética a ciência mais promissora dos tempos atuais. Outras proezas:

Depois de algumas escaramuças judiciais, cientistas americanos foram autorizados a realizar o primeirotransplante de genes em seres humanos. Dez pacientes terminais de câncer, com expectativa de vida de noventa dias, terão incorporado à sua bagagem genética um tipo de linfócito (glóbulo branco do sangue), cuja estrutura genética foi alterada de modo a conter o gene de uma bactéria resistente a antibiótico. O transplante não se destina a introduzir em seu organismo um linfócito marcado, permitindo assim aos cientistas acompanhar a sua ação – e abrindo caminho para futuros transplante de material genético, ai, sim, com propriedades terapêuticas.

Pesquisadores ingleses conseguiram traçar o perfil genético do citomegalovírus, o vírus gigante doherpes. Eles identificaram a seqüência exata dos 250 mil pares de bases químicas que constituem os duzentos genes do vírus, um número quase vinte vezes superior ao do vírus comuns. Nunca antes havia sido analisado um segmento contínuo tão extenso de uma molécula de DNA. Cada gene codifica uma proteína responsável por determinada característica do vírus. O mapeamento permitiu descobrir que em duas dessas proteínas pode estar a chave para a fabricação de uma vacina sintética contra ocitomegalovírus, responsável também por infecções mortais em pacientes de transplantes.

Na Argentina, a Genética poderá devolver a suas famílias as 208 crianças seqüestradas pelas forças de segurança ao longo do regime militar. Seqüestradas junto com os pais – que passaram a integrar as listas dos “desaparecidos” da ditadura – ou nascidas nas prisões e entregues a famílias de simpatizantes do regime, elas vêm sendo procuradas há anos pelas incansáveis “avós da Praça de Maio”. A partir de genes conhecidos como marcadores genéticos, cuja semelhança em várias pessoas indica laços familiares (com margem de erro de ínfimo 0,01 por cento), é possível achar a verdadeira família de uma criança adotada. Já foram assim devolvidas 54 crianças.


Depois de ratos, porcos e ovelhas, chegou a vez dos mosquitos transgênicos. Cientistas americanos inseriram genes alheios em ovos de mosquito: quando a prole se tornou adulta, foi cruzada entre si, transmitindo o gene forasteiro aos descendentes. Esse pode ter sido o primeiro passo para a criação por engenharia genética de uma linhagem de mosquitos incapazes de transmitir malária, dengue ou febre amarela. E quem sabe no futuro remoto, para o nascimento de populações inteira de mosquitos benignos.
O debate que cerca o transplante de genes não-humanos em doentes de câncer surgiu também na Europa, onde se planeja desenhar o mapa genético do homem. Assim como os americanos com seu Projeto Genoma, os europeus querem investir uma fábula de dinheiro para chegar à localização exata nos cromossomos dos 100 mil genes humanos. Mas a discussão não é financeira: escaldados pelas lembranças das teorias raciais nazistas, os europeus querem primeiro criar salvaguardas contra toda utilização do conhecimento do genoma humano que implique em formas de discriminação. Pois, podendo-se saber como é a cédula de identidade genética de uma pessoa, será também possível identificar predisposições a doenças hereditárias (por ausência ou presença de um gene) e exercer algum tipo de discriminação contra essa pessoa.

AIDS..


O que é HIV?

HIV é a sigla em inglês do vírus da imunodeficiência humana. Causador da aids, ataca o sistema imunológico, responsável por defender o organismo de doenças. As células mais atingidas são os linfócitos T CD4+. E é alterando o DNA dessa célula que o HIV faz cópias de si mesmo. Depois de se multiplicar, rompe os linfócitos em busca de outros para continuar a infecção.
Ter o HIV não é a mesma coisa que ter a aids. Há muitos soropositivos que vivem anos sem apresentar sintomas e sem desenvolver a doença. Mas, podem transmitir o vírus a outros pelas relações sexuais desprotegidas, pelo compartilhamento seringas contaminadas ou de mãe para filho durante a gravidez e a amamentação. Por isso, é sempre importante fazer o teste e se proteger em todas as situações. 
Biologia – HIV é um retrovírus, classificado na subfamília dos Lentiviridae. Esses vírus compartilham algumas propriedades comuns: período de incubação prolongado antes do surgimento dos sintomas da doença, infecção das células do sangue e do sistema nervoso e supressão do sistema imune.

Sintomas e fases da aids.

Quando ocorre a infecção pelo vírus causador da aids, o sistema imunológico começa a ser atacado. E é na primeira fase, chamada de infecção aguda, que ocorre a incubação do HIV - tempo da exposição ao vírus até o surgimento dos primeiros sinais da doença. Esse período varia de 3 a 6 semanas. E o organismo leva de 30 a 60 dias após a infecção para produzir anticorpos anti-HIV. Os primeiros sintomas são muito parecidos com os de uma gripe, como febre e mal-estar. Por isso, a maioria dos casos passa despercebido.
A próxima fase é marcada pela forte interação entre as células de defesa e as constantes e rápidas mutações do vírus. Mas que não enfraquece o organismo o suficiente para permitir novas doenças, pois os vírus amadurecem e morrem de forma equilibrada. Esse período, que pode durar muitos anos, é chamado de assintomático.
Com o frequente ataque, as células de defesa começam a funcionar com menos eficiência até serem destruídas. O organismo fica cada vez mais fraco e vulnerável a infecções comuns. A fase sintomática inicialé caracterizada pela alta redução dos linfócitos T CD4 - glóbulos brancos do sistema imunológico - que chegam a ficar abaixo de 200 unidades por mm³ de sangue. Em adultos saudáveis, esse valor varia entre 800 a 1.200 unidades. Os sintomas mais comuns são: febre, diarreia, suores noturnos e emagrecimento.
A baixa imunidade permite o aparecimento de doenças oportunistas, que recebem esse nome por se aproveitarem da fraqueza do organismo. Com isso, atinge-se o estágio mais avançado da doença, a aids. Quem chega a essa fase, por não saber ou não seguir o tratamento indicado pelos médicos, pode sofrer de hepatites virais, tuberculose, pneumonia, toxoplasmose e alguns tipos de câncer. Por isso, sempre que você transar sem camisinha ou passar por alguma outra situação de risco, aguarde 30 dias (saiba por quê) e faça o teste.